28 de mai de 2014

Empresas veganas ganham força e vão além do ramo alimentício


Empreendedores já apostam em cosméticos e calçados feitos sem nenhum insumo de origem animal

Os brasileiros estão cada vez mais preocupados com a vida dos animais. Segundo dados de 2012 do Ibope, 8% da população se declara vegetariana, o que abre um grande mercado para os produtos voltados para os adeptos do veganismo, vertente do vegetarianismo que prega o fim do consumo de qualquer produto feito com insumo de origem animal ou que envolva testes com eles. Como essa é uma política de consumo que não se resume a alimentos, empresas de outros ramos – como os de calçados e de cosméticos – também estão aderindo à filosofia.

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), são consideradas veganas aquelas empresas que não utilizam nenhum insumo de origem animal e nem fazem testes com eles. A entidade criou um Selo Vegano, usado para certificar os empreendimentos que respeitam estes princípios.

“A grande maioria das empresas veganas é do ramo alimentício, pois fora dessa área ainda é muito difícil encontrar fornecedores. Além disso, as matérias-primas costumam ser mais caras”, diz Carol Murua, gerente de certificação da SVB.

Uma das pioneiras a trabalhar com esse conceito fora do ramo alimentício foi a Feito Brasil, empresa de cosméticos criada em 2004 que adotou o princípio do veganismo antes mesmo de ele se popularizar no país. “Acreditamos que a vaidade não vale a vida de um animal, por isso usamos produtos de base vegetal. Além disso, estamos instalados em uma chácara verde em Mandaguaçu, no interior do Paraná, que conta com árvores reflorestadas, reutilização da água da chuva, horta orgânica, uso da luz natural em ambientes, além de coleta seletiva”, explica Giulio Peron, gerente de marketing da empresa.

Atualmente, a Feito Brasil conta com 146 produtos diferentes, que são vendidos para todo o país via internet ou distribuídos fisicamente em lojas parceiras. Andreia Sanfelice, farmacêutica responsável pela marca, defende que, além de incorporar os princípios do veganismo, os produtos de beleza feitos com base vegetal têm qualidade superior. “Os óleos vegetais, além de fornecerem suavidade e emoliência, são fontes de vitaminas, sais minerais e possuem composição graxa similar à da pele, oferecendo inúmeros benefícios. Já o óleo mineral não penetra na pele, atuando apenas por oclusão”, esclarece.

Mais nova, mas igualmente vegana, a Ahimsa é especializada no setor de calçados e bolsas. Criada em julho do ano passado, com um investimento de R$ 30 mil, ela rendeu mais de R$ 100 mil apenas no seu primeiro trimestre, e já conta com 25 diferentes produtos, entre calçados, bolsas, malas, mochilas e carteiras.

A empresa nasceu por conta da dificuldade de seu idealizador, Gabriel Silva, em encontrar calçados que não usassem insumos animais. “A indústria têxtil do país é bem avançada, e muitos lugares já trabalham com algodão reutilizado e fios de garrafa PET, que são a base de boa parte dos nossos produtos. Além disso, estamos tendo uma grande aceitação nas regiões que contam com polos universitários, o que nos faz acreditar que a próxima geração vai trazer esses conceitos”, finaliza Gabriel.


Fonte:  Terra 

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